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26/02/2019

Edital Mulher: ‘Ei, moço, essa cerveja é minha!’



Qual mulher nunca disse essa frase num bar, numa mesa com amigos e amigas ou com um namorado, pede uma cerveja e quando o garçom volta, entrega para o homem na mesa? E esta frase tem um significado muito maior.

A mulher não é dona apenas daquela cerveja que o garçom está trazendo. Foi ela quem descobriu a cerveja, há cerca de 3.000 anos antes de Cristo, na Mesopotâmia. Nesta época, as mulheres cuidavam da plantação e colheita dos cereais. E por um cesto de grãos esquecido na chuva que acabou fermentando, percebeu-se um caldo levemente azedo, mas de sabor agradável que, consumido, trazia sensações de satisfação, euforia e alegria. As sensações são provocadas pelo álcool e o caldo ganhou o nome de cerveja.

As mulheres, a partir dali, passaram a cuidar do processo de produção da cerveja, selecionando os grãos e controlando a quantidade de água e o tempo para fermentação. A bebida ganhou o Oriente Médio, foi conquistando o mundo e hoje é a terceira bebida mais consumida, perdendo apenas para a água e o café. Quando chegou ao ocidente foi que os homens passaram a dominar o processo e colocaram as mulheres para escanteio.

Para contar a verdadeira história da cerveja e estimular o empreendedorismo através da produção da cerveja artesanal, o engenheiro químico e professor do Instituto Federal de Sergipe (IFS), Anderson Dantas de Souza submeteu o projeto ‘Ei, moço, essa cerveja é minha!’ ao Edital da Mulher e, no dia 9 de março, vai acontecer um curso de produção de cerveja artesanal voltado para as mulheres, na sede do Sinasefe Sergipe.

“A ideia é fazer uma retomada cultural da origem da cerveja. A História é marcada pela supressão da mulher na criação e autoria de muita coisa e é preciso retomar isso e reconhecer quem é realmente o responsável pela criação de algo tão bom quanto a cerveja”, disse Anderson, que também é um produtor de cerveja caseira.

O curso vai acontecer durante todo o dia 9 e terá uma parte teórica, falando sobre a origem da cerveja, expansão pelo mundo, matérias-primas, famílias e estilos de cerveja, métodos de produção, e outra prática, onde a mulherada vai produzir uma cerveja smoked weiss.

Quem vai comandar o curso é a cervejeira Beatriz de Campos, diretora da Associação de Cervejeiros Artesanais de Sergipe (Acerva Sergipana - @acervasergipana) e dona da Cervejaria Caseira Iskra (Instagram @iskrabeer e Facebook @iskracervejaria). Ela e o marido produzem cervejas especiais que são degustadas entre amigos e pequenos eventos.

“Precisamos resgatar esse protagonismo feminino. Seja na História, seja produzindo, seja bebendo cerveja. As mulheres sempre apareceram objetificadas, como se fosse um prêmio para o homem que bebe. Hoje, já vemos nos anúncios a mulher bebendo cerveja, mas ainda objetificada, mas já é um passo”, disse Beatriz. “Além disso, é uma forma de mostrar que produzir cerveja e beber cerveja não é só coisa de homem. É coisa de quem gosta. Tem muita gente estudando, conhecendo esse universo, indo muito além do grande mercado”, completou.

Se você, mulher, quer participar do curso de produção de cerveja, basta entrar em contato com o Anderson, pelo telefone/WhatsApp 79-99997-7144. O curso é gratuito.


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